Ao Volante do Poder
Toda a gente sabe quem é Pedro Faria (e agora nós também)
Cavaco e Soares conhecem-no. Durão e Sócrates também. Durante 24 anos, Pedro Faria, um emigrante que não gosta da palavra emigrante, foi o motorista quase oficial da elite política e diplomática portuguesa em Nova Iorque. Viu de tudo e escreveu um livro, Ao Volante do Poder. Banda sonora para a leitura: New York, New York, Frank Sinatra
Pedro Faria escreveu um livro em que a suposta elite política portuguesa se porta como uma provinciana em Nova Iorque. A fumar onde não deve, com a mania das grandezas, a deixar gorjetas de um cêntimo em restaurantes selectos, a atirar maços de tabaco vazios pela janela fora. E agora, mais de um mês após a publicação do livro, Pedro Faria não vê onde é que está a impertinência de contar estas coisas. Se soubessem o que ficou por contar... “Foram 24 anos a lidar com o poder político, e não só, numa cidade cosmopolita e extremamente agitada como Nova Iorque”, explica, no átrio do Hotel Sheraton, em Lisboa. “Achei que era interessante dar a conhecer toda uma série de histórias que aconteceram. Aquelas que podiam ser publicadas, como é lógico: havia outras que se podiam contar mas não conto porque, aí, é um pouco de ética... Mesmo algumas das que estão aí e que não têm maldade absolutamente nenhuma – até são extremamente inocentes – incomodam quase toda a gente. Os nossos políticos não gostam de se ver retratados assim.” A bazófia, o nacional-espertismo, a arrogância, o desenrascanço, a cunha: nada do que Pedro Faria descreve em Ao Volante do Poder (Bertrand Editora) nos é estranho; pelo contrário: faz parte da imagem que temos de nós próprios enquanto colectivo. O que é novo, e melindrável (e embaraçoso, já que se tratam de representantes políticos e diplomáticos do país), é constatar que podemos não ser os únicos a sabê-lo. É o confronto de uma certa tacanhez lusitana com a grande metrópole nova-iorquina.
Artigo do Suplemento P2 (Público) de hoje.


3 comentários:
Não haverá nada melhor para ler?
Que tem de tão interessante a vida que levam os políticos e outros? Todo o mundo sabe o que eles fazem. São mortais como qualquer um de nós.
Talvez o Pedro Faria tivesse mais sucesso a fazer um livro sobre a sua própria vida, dentro das limusinas e fora delas.
Se aquelas limusines falassem... Quanto não teriam elas para contar e dar a conhecer sobre o autor.
Toda a gente sabe quem é Pedro Faria? Pensavam que sabiam. Se conhecessem na verdade, não teriam depositado confiança nessa pessoa.
Agora sim, conhecem o verdadeiro Pedro Faria.
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