quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Rugby I

(...)


(...)


“Um jogo de brutamontes jogado por cavalheiros”. Detesto este lugar comum que me farto de ouvir e ler por estes dias. Não existe nada de brutamontes neste desporto. O rugby é um desporto de contacto praticado por pessoas que apreciam o bom jogo, e o jogam apaixonadamente. É um excelente desporto pelas regras e pelo espírito transmitido por praticantes e adeptos. E ainda é óptimo pois qualquer pessoa o pode praticar independentemente da sua constituição física. Gosto do espírito do jogo, o facto de sermos quinze a realmente trabalhar em conjunto, em equipa, para um objectivo, onde todos temos uma função definida, que se conjuga com a do companheiro de equipa. Gosto do espírito de equipa que está sempre aceso, gosto do convívio com o adversário depois do jogo: a Terceira Parte. È sem dúvida um desporto mais evoluído que outros, por exemplo o futebol. Tem um espírito mais maduro e pró-activo, tem regras bem estruturadas e que favorecem o prazer de jogar e observar, e a nível de alta competição está um passo à frente no seu tempo. A maturidade mostra-se no elemento principal: o árbitro! É o principal e o mais respeitado elemento do jogo, as regras assim o reforçam, as leis do jogo são alteradas fundamentalmente em aspectos técnicos que fomentam a segurança dos jogadores e favorecem a técnica de jogo, melhorando a sua beleza. Agora o que a todos interessa: Os Lobos! Considero a participação do Portugal um sucesso! Infelizmente em termos de resultados não atingimos o principal objectivo, que era vencer a Roménia (a equipa mais ao nosso nível), mas Portugal ganhou adeptos, simpatia e respeito de todas as partes do mundo. Para além de reforçar-mos a nossa posição no mapa do rugby mundial, pois o nosso seleccionador já tinha sido nomeado para o prémio de melhor treinador, conseguimos mostrar ao mundo o nosso jogo e a nossa atitude perante este. Mostrámos também a Portugal algo que o nosso país já tinha esquecido ou já não estava habituado: a Honra de representar o País numa competição e a Honra de cantar o Hino! É arrepiante ver o vídeo com o Rui Cordeiro e o João Uva a chorar, o Pedro Leal e o Cardoso Pinto a cantar em plenos pulmões, e o nosso capitão Vasco Uva a segurar o símbolo e a cantar com aquela garra. Outros heróis foram os adeptos, os tais apaixonados da modalidade que vibraram com todos os jogos. É complicado ver um jogo do nosso país em que sabemos que vamos perder, vamos perder por muitos, e ainda assim estar entusiasmadíssimos com o jogo. Foi assim em todos os jogos e foi assim no aeroporto, em que centenas de pessoas foram receber uma equipa que regressou do mundial com derrotas e uns quantos pontos. Mas isso é que é ser adepto, é saber dar valor a que lá esteve, saber dar valor a quem perdeu (e por muitos em alguns casos), mas reconhecer que soube honrar a camisola. E sobre honrar a camisola que mais se pode dizer? Depois do Hino até podiam ter jogado mal que já tinham ensinado o país mas, era lógico, quem cantou e sentiu daquela forma, só podia jogar como um guerreiro e assim foi. Não existem dúvidas que em todos os jogos todos os jogadores deram tudo o que tinham. Logo, e discordando de alguns colunistas que tentaram tornar estes bestiais em bestas (como estão habituados a fazer com o futebol por exemplo), os adeptos e novos fãs fizeram questão de homenagear a “Nossa Selecção” com toda a justiça, e tornaram-se (tal como os Lobos) num grande exemplo.

Abraço

Sem comentários: